PROJETO DE REGULAMENTO DE ATRIBUIÇÃO DE SUBSÍDIOS ÀS ASSOCIAÇÕES, COLETIVIDADES E DEMAIS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS
Em Curso
REGULAMENTO DE ATRIBUIÇÃO DE SUBSÍDIOS ÀS ASSOCIAÇÕES, COLETIVIDADES E DEMAIS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOSPREÂMBULOO movimento associativo desempenha um papel fundamental no desenvolvimento social, cultural, desportivo e recreativo da Freguesia de Estorãos, constituindo um importante contributo para a participação cívica, a dinamização da comunidade e a melhoria da qualidade de vida da população.A Junta de Freguesia de Estorãos reconhece a importância do trabalho desenvolvido pelas associações, coletividades e demais entidades sem fins lucrativos, considerando essencial a existência de regras claras, transparentes e equitativas para a atribuição de apoios financeiros destinados à concretização das suas atividades.Neste sentido, importa estabelecer um procedimento que permita conhecer antecipadamente as atividades previstas pelas entidades candidatas, apreciar o seu interesse para a freguesia e enquadrar os apoios a conceder nas prioridades de intervenção da autarquia e nas respetivas disponibilidades orçamentais e financeiras.A atribuição dos subsídios assenta na apreciação fundamentada dos Planos de Atividades apresentados pelas entidades candidatas, não estando sujeita a fórmulas matemáticas, percentagens fixas ou mecanismos automáticos de distribuição. A decisão compete à Junta de Freguesia, no exercício das suas competências legais, mediante análise individualizada de cada plano e com respeito pelos princípios da legalidade, igualdade, imparcialidade, transparência, proporcionalidade e prossecução do interesse público.O presente Regulamento é elaborado ao abrigo do artigo 241.º da Constituição da República Portuguesa, da alínea f) do n.º 1 do artigo 9.º e das disposições aplicáveis do artigo 16.º da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, na sua redação atual, bem como do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 4/2015, de 7 de janeiro, na sua redação atual, e demais legislação aplicável.CAPÍTULO IDISPOSIÇÕES GERAISArtigo 1.ºObjeto1. O presente Regulamento estabelece as condições, os procedimentos e as regras aplicáveis à atribuição de subsídios financeiros pela Junta de Freguesia de Estorãos às associações, coletividades e demais entidades sem fins lucrativos que desenvolvam atividades de interesse para a freguesia.2. Os apoios destinam-se a contribuir para a realização das atividades previstas nos Planos de Atividades anuais das entidades beneficiárias, desde que prossigam fins de interesse comunitário e se enquadrem nas atribuições da Junta de Freguesia.3. A atribuição de subsídios depende da apreciação do respetivo Plano de Atividades, da fundamentação da decisão e da existência de disponibilidade orçamental e financeira, não constituindo um direito automático das entidades candidatas.Artigo 2.ºObjetivosO presente Regulamento prossegue os seguintes objetivos:a) Promover e valorizar o movimento associativo da Freguesia de Estorãos;b) Apoiar iniciativas que contribuam para o desenvolvimento social, cultural, desportivo, recreativo, educativo, ambiental e comunitário;c) Incentivar a participação da população na vida da freguesia;d) Reconhecer o trabalho desenvolvido pelas entidades em benefício da comunidade;e) Assegurar a transparência, a igualdade de tratamento e a utilização responsável dos recursos públicos;f) Promover o planeamento anual das atividades e uma adequada articulação entre as entidades e a Junta de Freguesia;g) Contribuir para a dinamização da freguesia e para a melhoria da qualidade de vida da população.Artigo 3.ºEntidades beneficiárias1. Podem beneficiar dos apoios previstos no presente Regulamento as associações, coletividades e demais entidades sem fins lucrativos que reúnam as seguintes condições:a) Se encontrem legalmente constituídas e devidamente registadas, quando aplicável;b) Tenham sede na Freguesia de Estorãos ou, excecionalmente, desenvolvam atividades de reconhecido interesse para a população da freguesia;c) Tenham os respetivos órgãos sociais regularmente constituídos e em funções, nos termos legais e estatutários aplicáveis;d) Desenvolvam atividades compatíveis com os objetivos definidos no presente Regulamento;e) Tenham a sua situação tributária regularizada perante a Autoridade Tributária e Aduaneira;f) Tenham a sua situação contributiva regularizada perante a Segurança Social;g) Não se encontrem em situação de incumprimento de obrigações decorrentes de apoios anteriormente concedidos pela Junta de Freguesia, sem prejuízo da apreciação das circunstâncias concretas e da possibilidade de regularização.2. A concessão de apoio a entidades sem sede na freguesia depende da demonstração do interesse direto e relevante das atividades propostas para a comunidade de Estorãos.3. A Junta de Freguesia pode solicitar os documentos necessários à comprovação das condições previstas nos números anteriores.Artigo 4.ºNatureza e finalidade dos apoios1. Os apoios regulados pelo presente diploma assumem a forma de subsídios financeiros destinados a contribuir para a execução das atividades constantes dos Planos de Atividades apresentados pelas entidades candidatas.2. Os subsídios podem destinar-se ao apoio à atividade regular da entidade ou à realização de iniciativas, projetos e eventos específicos, desde que devidamente identificados no Plano de Atividades.3. Os apoios concedidos devem contribuir para a prossecução de objetivos de interesse público local e para o desenvolvimento da Freguesia de Estorãos.4. A concessão de um subsídio não confere à entidade beneficiária qualquer direito à manutenção do apoio nos anos seguintes.5. A atribuição dos subsídios fica condicionada ao cumprimento das normas legais aplicáveis, à existência de dotação orçamental adequada e à observância das regras de execução da despesa pública.CAPÍTULO IIAPRESENTAÇÃO E APRECIAÇÃO DOS PLANOS DE ATIVIDADESArtigo 5.ºPrazo de apresentação das candidaturas1. As entidades interessadas em beneficiar de subsídios para determinado ano civil devem apresentar à Junta de Freguesia de Estorãos o respetivo Plano de Atividades até ao dia 15 de novembro do ano imediatamente anterior àquele a que o apoio respeita.2. O prazo previsto no número anterior aplica-se anualmente, devendo as entidades apresentar o respetivo Plano de Atividades mesmo quando tenham beneficiado de subsídios em anos anteriores.3. A Junta de Freguesia pode divulgar o prazo e os procedimentos de apresentação das candidaturas através dos meios institucionais habitualmente utilizados.4. Os planos apresentados após o prazo estabelecido podem não ser considerados no procedimento anual, salvo se a Junta de Freguesia, mediante decisão expressamente fundamentada, admitir a sua apreciação por motivo excecional devidamente justificado, desde que tal seja legalmente admissível e exista disponibilidade para o efeito.Artigo 6.ºElementos instrutórios das candidaturas1. O pedido de atribuição de subsídio deve ser acompanhado dos seguintes elementos:a) Plano de Atividades para o ano a que respeita o apoio;b) Identificação da entidade, incluindo denominação, sede, número de identificação de pessoa coletiva e contactos;c) Identificação do representante legal da entidade;d) Identificação das atividades para as quais é solicitado apoio, com indicação dos objetivos, destinatários, calendarização previsional e interesse para a freguesia;e) Certidão comprovativa da situação tributária regularizada perante a Autoridade Tributária e Aduaneira;f) Declaração comprovativa da situação contributiva regularizada perante a Segurança Social;i) Outros documentos que a Junta de Freguesia considere necessários para a adequada apreciação do pedido, desde que legalmente exigíveis ou devidamente justificados.2. Os documentos referidos nas alíneas e) e f) do número anterior devem encontrar-se válidos no momento em que forem exigidos para a instrução e decisão do procedimento, nos termos da legislação aplicável.3. A Junta de Freguesia pode solicitar a atualização das certidões ou proceder a nova verificação da situação tributária e contributiva antes do processamento do pagamento, sempre que legalmente exigível ou necessário para confirmar o cumprimento das condições de atribuição do apoio.4. Sempre que se verifique a falta de elementos necessários à apreciação do pedido, a entidade candidata pode ser notificada para proceder à respetiva entrega ou prestar esclarecimentos, em prazo razoável fixado pela Junta de Freguesia.5. A falta de apresentação dos documentos comprovativos da situação tributária e contributiva regularizada, quando legalmente exigíveis, determina a não conclusão do procedimento até à regularização da situação, sem prejuízo das consequências legalmente aplicáveis.6. Caso a entidade não regularize a situação ou não apresente os elementos solicitados no prazo concedido, o pedido pode ser indeferido, mediante decisão fundamentada e com respeito pelas garantias procedimentais legalmente previstas.7. A apresentação de documentos falsos ou a prestação de informações falsas determina a aplicação das consequências legalmente previstas, sem prejuízo de eventual responsabilidade civil, financeira ou criminal.Artigo 7.ºPrincípios e critérios de apreciação1. A apreciação dos pedidos de apoio é efetuada individualmente, tendo por base o conteúdo do Plano de Atividades e o contributo previsto das iniciativas para a Freguesia de Estorãos.2. Na apreciação dos planos, a Junta de Freguesia tem especialmente em consideração:a) O interesse público e comunitário das atividades propostas;b) A relevância das iniciativas para a população da freguesia;c) O número e a diversidade de pessoas potencialmente abrangidas pelas atividades, quando relevante;d) A regularidade e continuidade da atividade desenvolvida pela entidade;e) O contributo para a dinamização cultural, desportiva, recreativa, educativa, social ou ambiental da freguesia;f) A promoção da participação cívica, da inclusão social, da solidariedade e do convívio entre gerações;g) A colaboração da entidade em iniciativas promovidas ou apoiadas pela Junta de Freguesia;h) A adequação e a viabilidade das atividades propostas;i) A coerência entre os objetivos apresentados, as atividades previstas e os recursos necessários à sua concretização;j) A capacidade de organização e execução demonstrada pela entidade;k) A existência de outros apoios financeiros ou fontes de financiamento destinados às mesmas atividades, quando relevante;l) As prioridades de intervenção da Junta de Freguesia e a disponibilidade orçamental e financeira existente.3. Os fatores previstos no número anterior são apreciados globalmente, em função das características e circunstâncias de cada entidade e do respetivo Plano de Atividades.4. A definição do montante a atribuir resulta de uma avaliação concreta e fundamentada do Plano de Atividades, do interesse das iniciativas propostas e das disponibilidades orçamentais e financeiras da Junta de Freguesia.5. A aplicação dos critérios previstos no presente artigo deve respeitar os princípios da igualdade e da imparcialidade, não podendo a decisão assentar em motivos alheios ao interesse público prosseguido pelo apoio.Artigo 8.ºApreciação e decisão1. Os Planos de Atividades apresentados são apreciados pela Junta de Freguesia de Estorãos, que pode solicitar informações complementares sempre que tal se revele necessário.2. A apreciação incide sobre o mérito e o interesse das atividades propostas, a sua adequação às necessidades da freguesia e a possibilidade de enquadramento do apoio no orçamento da autarquia.3. A decisão de atribuição, de atribuição parcial ou de não atribuição do subsídio compete ao órgão legalmente competente, nos termos da legislação aplicável.4. A deliberação de atribuição deve identificar a entidade beneficiária, o montante aprovado, a finalidade do apoio e as condições essenciais a que fica sujeito.5. A decisão de não atribuição ou de atribuição de um montante inferior ao solicitado deve ser fundamentada nos termos legais, designadamente quando estejam em causa pretensões apresentadas pelas entidades interessadas.6. A apreciação dos Planos de Atividades não confere às entidades candidatas qualquer garantia de atribuição de subsídio, nem determina que entidades com características semelhantes recebam necessariamente montantes iguais, desde que as diferenças de tratamento assentem em razões objetivas, pertinentes e devidamente fundamentadas.Artigo 9.ºCalendário de decisão e atribuição1. A apreciação dos Planos de Atividades e a deliberação relativa aos subsídios a conceder para cada ano devem ocorrer durante o mês de janeiro do respetivo ano.2. A atribuição dos subsídios e o respetivo processamento financeiro devem ocorrer durante o mês de janeiro, sempre que se encontrem reunidas as condições legais, orçamentais e administrativas necessárias.3. A atribuição e o pagamento ficam condicionados à existência de orçamento aprovado, de dotação disponível e do cumprimento das formalidades legalmente exigíveis.4. Caso circunstâncias excecionais, devidamente fundamentadas, impeçam a conclusão do procedimento ou o pagamento durante o mês de janeiro, a Junta de Freguesia deve promover a sua conclusão com a maior brevidade possível, respeitando a legislação aplicável.5. As entidades beneficiárias são notificadas da decisão, incluindo o montante aprovado e as condições aplicáveis ao apoio.CAPÍTULO IIIUTILIZAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E CONTROLO DOS SUBSÍDIOSArtigo 10.ºFinalidade e utilização do subsídio1. Os subsídios atribuídos devem ser utilizados exclusivamente para os fins e atividades que fundamentaram a respetiva concessão, nos termos da deliberação da Junta de Freguesia.2. As entidades beneficiárias comprometem-se a executar as atividades previstas no Plano de Atividades, sem prejuízo de alterações justificadas e devidamente comunicadas à Junta de Freguesia.3. Qualquer alteração substancial à finalidade do apoio ou à atividade que fundamentou a sua atribuição depende de autorização prévia da Junta de Freguesia, quando legalmente admissível.4. Os subsídios não podem ser utilizados para fins contrários à lei, aos estatutos da entidade ou ao interesse público que justificou a sua atribuição.Artigo 11.ºDeveres das entidades beneficiáriasConstituem deveres das entidades beneficiárias:a) Aplicar o subsídio na finalidade aprovada;b) Executar as atividades previstas no Plano de Atividades, nos termos aprovados ou das alterações autorizadas;c) Prestar à Junta de Freguesia as informações e os esclarecimentos solicitados sobre a utilização do apoio;d) Disponibilizar os documentos comprovativos da aplicação do subsídio, sempre que solicitados;e) Comunicar alterações relevantes que possam comprometer a realização das atividades apoiadas;f) Manter a situação administrativa e legal regularizada, nos termos aplicáveis;g) Manter regularizada a situação tributária e contributiva, nos termos legalmente exigíveis;h) Restituir os montantes cuja devolução seja legalmente devida, designadamente em caso de utilização indevida ou incumprimento das condições do apoio.Artigo 12.ºAcompanhamento e prestação de contas1. A Junta de Freguesia pode acompanhar a execução das atividades apoiadas e solicitar às entidades beneficiárias elementos que permitam verificar o cumprimento das finalidades do subsídio.2. As entidades beneficiárias devem apresentar, quando solicitadas, um relatório de execução das atividades e os documentos comprovativos da aplicação dos montantes recebidos.3. A Junta de Freguesia pode estabelecer, na deliberação de atribuição ou em documento próprio, obrigações proporcionais de informação e prestação de contas, adequadas à natureza e à finalidade do apoio.4. O acompanhamento previsto no presente artigo não prejudica os poderes de fiscalização e controlo atribuídos por lei às entidades competentes.Artigo 13.ºIncumprimento e restituição1. O incumprimento das obrigações previstas no presente Regulamento ou nas condições fixadas na deliberação de atribuição pode determinar, consoante a gravidade e as circunstâncias do caso:a) A solicitação de esclarecimentos ou de elementos complementares;b) A determinação de medidas destinadas à regularização da situação, quando legalmente admissível;c) A suspensão de pagamentos ainda não efetuados, quando legalmente admissível;d) A revogação ou modificação do ato de atribuição, quando se verifiquem os respetivos pressupostos legais;e) A restituição, total ou parcial, dos montantes indevidamente recebidos ou utilizados, nos termos legais;f) A ponderação do incumprimento em futuros pedidos de apoio, mediante apreciação concreta e fundamentada.2. A aplicação das medidas previstas no número anterior deve respeitar a legislação aplicável e as garantias procedimentais das entidades interessadas.3. A restituição dos montantes recebidos não prejudica a eventual responsabilidade civil, financeira, contraordenacional ou criminal que ao caso couber, nos termos legais.CAPÍTULO IVDISPOSIÇÕES FINAISArtigo 14.ºAcumulação de apoios1. A atribuição de um subsídio ao abrigo do presente Regulamento não impede a entidade de solicitar outros apoios públicos ou privados, desde que tal seja legalmente admissível.Artigo 15.ºProteção de dados pessoais1. Os dados pessoais recolhidos no âmbito dos procedimentos regulados pelo presente diploma são tratados exclusivamente para as finalidades relacionadas com a instrução, apreciação, decisão, pagamento, acompanhamento e controlo dos apoios.2. O tratamento dos dados obedece à legislação aplicável em matéria de proteção de dados pessoais, designadamente ao Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e à respetiva legislação nacional de execução.Artigo 16.ºDúvidas e casos omissosAs dúvidas de interpretação e os casos omissos suscitados pela aplicação do presente Regulamento são resolvidos pela Junta de Freguesia, em conformidade com a legislação em vigor e os princípios gerais da atividade administrativa.Artigo 17.ºRevisão do RegulamentoO presente Regulamento pode ser objeto de revisão sempre que alterações legislativas, necessidades da freguesia ou razões de interesse público o justifiquem, mediante cumprimento dos procedimentos legalmente exigidos.Artigo 18.ºEntrada em vigorO presente Regulamento entra em vigor no dia seguinte à sua aprovação por parte da Assembleia de Freguesia.Aprovado em reunião da Junta de Freguesia de Estorãos, em 27 de outubro de 2026.